13° Congresso Ruepsy
Entre consentimento e renúncia: o ato educativo diante dos discursos imperativos da época
Apresentação
O evento, destinado a estudantes, professores-pesquisadores e profissionais das áreas de psicanálise, psicologia, educação, saúde mental e ação social, incluirá debates interdisciplinares sobre práticas e propostas educativas, experiências clínicas e sociais, pesquisas acadêmicas e outras atividades envolvendo a psicanálise numa conversação com a cidade.
Argumento
Um ato não é apenas um movimento ou uma ação, sua potência reside na marca que deixa, na transformação que instaura um antes e um depois. Em diferentes esferas da vida, os atos – civis, normativos, religiosos, escolares – adquirem estatuto de ato psíquico na medida em que o sujeito consente com eles.
Todo ato precisa de um consentimento. O mesmo acontece com o ato educacional e analítico.
O consentimento educacional se articula em dois níveis: por um lado, deve haver uma certa disposição do sujeito para o “duro” trabalho civilizatório, para entrar no mundo simbólico e na cultura que o precede; por outro lado, o adulto consente em doar o patrimônio cultural às novas gerações, tornando o conhecimento um objeto capaz de despertar o desejo.
O consentimento de um sujeito à educação nunca é total, há margens que mostram o impossível de educar. Nessas margens, onde a dimensão do “Não-todo” é evidente, emerge o mal-estar na civilização que assume diferentes formas dependendo da época.
Hoje, os discursos hegemônicos prescrevem a satisfação total e produzem um curto-circuito entre o sujeito e o Outro. A oferta desenfreada de objetos tecnológicos, telas, inteligência artificial, jogos on-line invadem os tempos formativos da infância e da adolescência, alterando a experiência cultural.
A função civilizatória da educação, que regula os impulsos por meio dos objetos da cultura e do conhecimento, é perturbada. Freud (1910) argumentava que em particular a escola deveria instigar a alegria de viver e despertar o interesse pela existência do mundo; no entanto, a lógica do mercado atual, articulada com discursos cientificistas e universalizantes, rompe essa possibilidade, produzindo novos sintomas que rapidamente se tornam nomes de transtornos e protocolos que nada querem saber do desejo.
A partir desse ponto, nos perguntamos:
Como o sujeito consente com o ato educativo, com o trabalho “árduo” da alfabetização, nessas coordenadas de nossa época?
Como as novas gerações que vivem suas experiências imersas no mundo digital consentem com o ato educativo?
Como consentir com a cultura quando o que é dito “é”, quando a ficção cai e a literalidade triunfa?
Como consentir com o trabalho civilizador quando o imperativo dos tempos empurra para o gozo solitário e autoerótico, que está mais próximo da pulsão de morte do que de Eros?
E então:
Como não renunciar ao desejo de educar para a erótica da hora-aula? Como não renunciar, desistir, abandonar a função?
O que os educadores, professores e psicanalistas inventam diante dos discursos dominantes e das novas formas de desconforto?
A conversa é um primeiro passo.
Esperamos você em 13, 14 e 15 de novembre de 2025
* * *
Os eixos temáticos fornecem uma estrutura para a conversa nas mesas centrais e nas sessões de comunicações simultâneas. É de particular interesse aqui desdobrar as nuances, os tons e as variações que encontramos na fronteira do “entre” consentimento e renúncia ao ato educativo:
Eixo 1- O ato educativo entre consentimento e renúncia.
Este eixo propõe explorar como o “sim” ou o “não” do sujeito estrutura a experiência, tanto na suposição de saber quanto na resistência, e como esse consentimento é articulado em dois níveis: a disposição do sujeito em consentir e o compromisso do adulto em transmitir.
- Formação de professores. O adulto diante dos discursos imperativos da época, que invenção é possível? Esse tópico trata da responsabilidade ética do educador em um contexto de desafios que oscilam entre a renúncia e o desejo. Trata-se de pensar a formação de professores não apenas em termos de capacidade técnica, mas como um espaço para a produção e a escrita de respostas singulares aos desafios atuais.
- A época e a alfabetização. O desafio de entrar no mundo da linguagem na era das imagens e da velocidade: como as novas gerações consentem com o tempo necessário para o trabalho de alfabetização? A palavra, a escrita e o pensamento crítico diante da predominância do visual.
Eixo 2 – A função civilizatória da educação e sua transformação na era digital
Na era dos algoritmos e da hiperconectividade, é essencial repensar a função civilizadora da educação. A constante saturação de dispositivos tecnológicos, plataformas digitais e conteúdos impulsionados pelo discurso capitalista global invade os tempos formativos da infância e da adolescência, alterando a relação com o conhecimento e o laço social.
Esse eixo se propõe a analisar como as lógicas do mercado, com sua demanda por imediatismo e consumo desenfreado, juntamente com os discursos cientificistas e universalizantes, impactam a subjetividade e a construção de referências simbólicas. Busca também compreender os novos modos de organização espacial e temporal que emergem com a cibercultura e seu impacto no ato educativo.
Eixo 3- O laço social frente aos imperativos da época. Entre o consentimento e a renúncia ao lugar do adulto
Este eixo propõe uma reflexão sobre como os imperativos da época – caracterizados pela aceleração tecnológica, globalização, pressões do mercado e mudanças culturais – afetam o laço social.
O objetivo é examinar como os discursos políticos, educacionais e culturais predominantes desestabilizam as estruturas institucionais.
Como o laço social é sustentado diante do imperativo da época, que incentiva o gozo solitário e autoerótico? Como o vínculo social é reconfigurado em um contexto em que predominam o individualismo e o imediatismo?
Qual é o papel dos adultos (educadores, pais, professores) hoje e como se expressa o abandono de suas responsabilidades, revelando as novas formas de orfandade que caracterizam esta época?
Eixo 4- Entre o consentimento e a renúncia: o ato educativo, jurídico, político e social diante dos discursos imperativos da época. Controvérsias, debates, paradoxos, propostas.
Este eixo nos convida a explorar a relação entre consentimento e renúncia nos âmbitos educativo, jurídico, político e social, frente aos discursos dominantes da época. No contexto atual, os sujeitos e as instituições estão divididos entre o consentimento e a renúncia às exigências das novas regulamentações e seus mandatos. Neste eixo, nos perguntamos como encontrar formas criativas de intervenção que desafiem as tendências de desresponsabilização que destituem o ato educacional, jurídico e político.
Eixo 5 – O imperativo da inclusão escolar como uma nova forma de mal-estar cultural e suas repercussões no ato educativo.
Identificar os desvios do imperativo “inclusivo” e seu impacto na educação. O objetivo é explorar como o imperativo de incluir produz novas formas de mal-estar docente que exigem respostas que permitam articular o singular com o coletivo.
Eixo 6 – Possíveis formas inventivas de “fazer” com as tecnologias
As tecnologias tendem a ser associadas às pedagogias de competências no sentido de uma educação que promove o funcionamento do sujeito em vez de favorecer a produção de subjetividade em termos de singularidade.
Como incorporar as tecnologias em um sentido inventivo? Como incorporá-las criativamente para a produção de subjetividades diversas e territoriais? Como avançar em uma política que implique corpos e identificações desejantes?
* * *
Informações e registro: ruepsy2025@gmail.com
Comité científico:
Ana Carolina Ferreyra (FLACSO/ Argentina)
Ariana Lucero (UFES/ Brasil)
Candice Marques de Lima (UFG/ Brasil)
Carla Jatobá Ferreira (UFOP/ Brasil)
Caroline Fanizzi (USP/ Brasil)
Cristiana Carneiro (UFMG/ Brasil)
Diego Fernando Bolaños (USC/ Colombia)
Douglas Emiliano Batista (USP/ Brasil)
Eric Passone (UNIB/ Brasil)
Ilaria Pirone (Université Paris 8/Francia)
Inês Maria M Z Pires de Almeida (UnB/ Brasil)
Isael de Jesus Sena (UCSAL/ Brasil)
Julia Anacleto (USP/ Brasil)
Juliana Maddalena Trifilio Dias (UFJF/ Brasil)
Kelly Cristina Brandão da Silva (UNICAMP/ Brasil)
Laura Kiel (UNTREF/ Argentina)
Leandro de Lajonquière (Université Paris 8/Francia)
Luciana Gageiro Coutinho (UFF/ Brasil)
Marcelo Ricardo Pereira (UFMG/ Brasil)
Margareth Diniz (UFOP/ Brasil)
Marília Etienne Arreguy (UFF/ Brasil)
Mercedes Minnicelli (UNMdP/ Argentina)
Mônica Maria Farid Rahme (UFMG/ Brasil)
Nadia Laguárdia (UFMG/ Brasil)
Pablo Llanque Nieto (Université Paris 8/Francia)
Pascaline Tissot (INSPE/ Francia)
Perla Zelmanovich (FLACSO/ Argentina)
Rose Gurski (UFRGS/ Brasil)
Segundo Moyano Mangas (UOC/ España)
Simone Bicca Charczuk (UFRGS/ Brasil)
Comité de organização:
Ana Bloj (UNR/ Argentina)
Ana Carolina Ferreyra (FLACSO/Argentina)
Cristina Ronchese (UNR/ Argentina)
Diana Wolkowicz (UNR/ Argentina)
Mariana Scrinzi (UNR, UADER/ Argentina)
Mercedes Minnicelli (UNMdP/ Argentina)
Perla Zelmanovich (FLACSO/ Argentina)
Comité executivo:
Ana Bloj (UNR/ Argentina)
Cristina Ronchese (UNR/ Argentina)
Diana Wolkowicz (UNR/ Argentina)
Leandro de Lajonquière (Université Paris 8/Francia)
Mariana Scrinzi (UNR, UADER/ Argentina)
Secretaria: Virginia Bernasconi (UNR/Argentina)
Secretaria Técnica: Marianela Fondato (UNR/Argentina)
Tradução:
Leandro de Lajonquière (Université Paris 8/Francia)
© RUEPSY All rights reserved
